Uma pedra fez a carruagem chacoalhar forte, e tirou o jovem Christopher da concentração. Foi quando ele viu que o sol se pos no horizonte e apenas a luz de uma forte lanterna iluminava os pinheiros, que tomaram um ar ameaçador.
Virou-se para a cabina vazia em que estava e olhou para sua pequena mala doada pelo Cardeal. Abriu-a e pegou um Pastel de Santa Clara, doce típico português que fazia, pelo menos por alguns instantes, desaparecer as mazelas da vida.
Olhou seu reflexo na janela e, pela primeira vez em anos, pôde reparar no quanto havia mudado.
Havia se tornado um homem, com uma altura superior aos demais, sua face continuava pálida graças a pouca exposição ao sol nos últimos dez anos. As únicas coisas que lhe atribuíam cor em sua face eram seus olhos extremamente azuis, porém melancólicos. Suas bochechas estavam rosadas e seu nariz, avermelhado. O cabelo negro e liso caía desordenado em sua testa, dando ao rapaz um ar desleixado.
A carruagem deu um forte solavanco e finalmente parou, chamando a atenção do garoto para a construção antiga que se estendia à frente. “Provavelmente uma fortaleza, ou um monastério”, pensou, enquanto agarrava sua velha mala e descia da carruagem, sendo levado em silêncio para a escadaria de entrada.
Christopher olhou para o alto enquanto andava, viu algumas corujas voando em cima do telhado, enquanto o céu era engolido pelas enormes vigas que faziam frente à construção.
Seu coração se precipitou a bater mais forte enquanto aquela pesada porta de madeira se abria, mas ele se controlou, não poderia se deixar levar pelo medo após atravessar metade do mundo. Engoliu seco e foi conduzido ao interior pelo carroceiro silencioso.
Não conseguiu distinguir muito do que havia dentro daquela construção graças à escuridão que se formou ao fechar da porta, apenas sentia frio, muito frio.
O carroceiro então acendeu um lampião e o conduziu a uma enorme escada em caracol. Subiram por bons minutos enquanto a escuridão os cercava. Era possível apenas ver as pedras e os degraus se estendendo á eternidade enquanto ambos subiam.
Chegaram a um corredor comprido e deserto. Christopher começara a desconfiar das reais atividades daquele local, que se assemelhava muito ás tabernas medievais dos séculos anteriores ao seu. Mas podia pelo menos distinguir algumas portas e candelabros apagados nas paredes.
Pararam em frente a uma porta e o carroceiro abriu-a. Finalmente, após vinte e quatro horas de convivência, o homem disse algumas palavras, foram poucas.
- Quando o sol romper o horizonte, seus testes começarão.
E virou, deixando o lampião em cima de uma escrivaninha e trancando a porta do quarto quando saiu.
Finalmente Christopher pôde contemplar sua provável nova moradia. Estava acostumado com a simplicidade, portanto não se impressionou com a cama dura, o bidê e a escrivaninha com uma cadeira remendada sendo iluminados pelo lampião e a luz da lua que irradiava, entrando pela janela. Christopher ajoelhou-se aos pés da cama, colocou as mãos em posição de oração, fechou seus olhos e agarrou fortemente o terço de cristal de sua mãe.
- Deus. Não sei quais planos misteriosos reservas para mim. Apenas imploro por vossa proteção.
Sentou-se na cama, tirou os sapatos e por fim, contemplou as paredes de pedra que o cercavam. Achava-as misteriosas e rústicas, mas mesmo assim estava grato, pois tinha um local para se proteger do frio noturno.
Lutou contra a ansiedade por algumas horas, mas finalmente cedeu a um sono profundo. Precisava de todas as suas forças para quando o sol nascesse.
As horas passaram como um raio, logo, o garoto sentiu que a hora havia chegado, então abriu os olhos.
Virou-se para a cabina vazia em que estava e olhou para sua pequena mala doada pelo Cardeal. Abriu-a e pegou um Pastel de Santa Clara, doce típico português que fazia, pelo menos por alguns instantes, desaparecer as mazelas da vida.
Olhou seu reflexo na janela e, pela primeira vez em anos, pôde reparar no quanto havia mudado.
Havia se tornado um homem, com uma altura superior aos demais, sua face continuava pálida graças a pouca exposição ao sol nos últimos dez anos. As únicas coisas que lhe atribuíam cor em sua face eram seus olhos extremamente azuis, porém melancólicos. Suas bochechas estavam rosadas e seu nariz, avermelhado. O cabelo negro e liso caía desordenado em sua testa, dando ao rapaz um ar desleixado.
A carruagem deu um forte solavanco e finalmente parou, chamando a atenção do garoto para a construção antiga que se estendia à frente. “Provavelmente uma fortaleza, ou um monastério”, pensou, enquanto agarrava sua velha mala e descia da carruagem, sendo levado em silêncio para a escadaria de entrada.
Christopher olhou para o alto enquanto andava, viu algumas corujas voando em cima do telhado, enquanto o céu era engolido pelas enormes vigas que faziam frente à construção.
Seu coração se precipitou a bater mais forte enquanto aquela pesada porta de madeira se abria, mas ele se controlou, não poderia se deixar levar pelo medo após atravessar metade do mundo. Engoliu seco e foi conduzido ao interior pelo carroceiro silencioso.
Não conseguiu distinguir muito do que havia dentro daquela construção graças à escuridão que se formou ao fechar da porta, apenas sentia frio, muito frio.
O carroceiro então acendeu um lampião e o conduziu a uma enorme escada em caracol. Subiram por bons minutos enquanto a escuridão os cercava. Era possível apenas ver as pedras e os degraus se estendendo á eternidade enquanto ambos subiam.
Chegaram a um corredor comprido e deserto. Christopher começara a desconfiar das reais atividades daquele local, que se assemelhava muito ás tabernas medievais dos séculos anteriores ao seu. Mas podia pelo menos distinguir algumas portas e candelabros apagados nas paredes.
Pararam em frente a uma porta e o carroceiro abriu-a. Finalmente, após vinte e quatro horas de convivência, o homem disse algumas palavras, foram poucas.
- Quando o sol romper o horizonte, seus testes começarão.
E virou, deixando o lampião em cima de uma escrivaninha e trancando a porta do quarto quando saiu.
Finalmente Christopher pôde contemplar sua provável nova moradia. Estava acostumado com a simplicidade, portanto não se impressionou com a cama dura, o bidê e a escrivaninha com uma cadeira remendada sendo iluminados pelo lampião e a luz da lua que irradiava, entrando pela janela. Christopher ajoelhou-se aos pés da cama, colocou as mãos em posição de oração, fechou seus olhos e agarrou fortemente o terço de cristal de sua mãe.
- Deus. Não sei quais planos misteriosos reservas para mim. Apenas imploro por vossa proteção.
Sentou-se na cama, tirou os sapatos e por fim, contemplou as paredes de pedra que o cercavam. Achava-as misteriosas e rústicas, mas mesmo assim estava grato, pois tinha um local para se proteger do frio noturno.
Lutou contra a ansiedade por algumas horas, mas finalmente cedeu a um sono profundo. Precisava de todas as suas forças para quando o sol nascesse.
As horas passaram como um raio, logo, o garoto sentiu que a hora havia chegado, então abriu os olhos.
Mas algo estava errado...
Ele não estava deitado na dura cama de madeira...
Estava em um chão asfaltado e úmido....
CONTINUA

Nenhum comentário:
Postar um comentário