domingo, 27 de junho de 2010

BELLATORIS: O CAMINHO DE CHRISTOPHER ASGER - PARTE 1

      Zéfiro soprava forte no horizonte, farfalhando os espinhos da grande floresta de pinheiros nas serras Gaúchas. Uma revoada de andorinhas atravessava á frente do poente a procura de terras ermas para seu repouso. O som de suas asas batendo contra o vento quebrou o eterno silêncio provindo das proximidades de uma construção misteriosa. 
       Pouco se falava sobre aquela construção gótica no coração da floresta. Suas paredes de pedra com poucas janelas divididas em três andares e apenas uma grande porta eram tão misteriosas quanto as atividades realizadas em seu interior.
       Os moradores do povoado de Pinhal, situado á sete quilômetros da construção, sempre olharam desconfiados para as carruagens negras que entravam na pequena estrada e avançavam mata adentro, poucas vezes retornando.
       Boatos saídos da taberna do povoado diziam ser o local, uma sede antiga de alguma sociedade extremista católica, outros, mais radicalistas, afirmavam ser o local um antro de magia negra, mas ninguém chegava a um consenso sobre o que funcionaria dentro daquelas grossas paredes de pedra, pois seu sigilo extremo não permitia nada além de boatos.
       Em meados do século XX, reza uma lenda local, que um único homem teve coragem suficiente para adentrar á mata dos pinheiros e desbravar as atividades na misteriosa construção, seu nome virou lenda, Arthur West, vindo do sul da Escócia ao pequeno vilarejo, ficara nas instalações do povoado apenas uma semana, chamando atenção de todos e virando a principal atração de tão pequeno e monótono local.
       Diziam os mais velhos que em uma noite de lua minguante, Arthur West saiu da pensão com uma mochila nas costas e uma pistola na cintura. Parou na taberna e pediu um litro de Whisky, pagou uma quantia significantemente superior ao valor da bebida e, em silêncio, saiu não só da taberna, como do pequeno vilarejo, desaparecendo em seguida no meio dos pinheiros.
       Não foi ouvido um tiro, um grito ou um som de luta naquela noite, nem na manhã seguinte. Os dias se passaram apreensivos para os poucos habitantes de Pinhal, mas, desde o momento em que Arthur West adentrou naquelas matas, nunca mais se tivera notícias do escocês que atravessou o oceano á barco para desvendar um mistério.

       Os motivos de sua procura? Permanecem em mistério até o atual dia, onde o pequeno vilarejo vivia normalmente sua rotina. As mulheres retiravam seus lençóis brancos das varandas, enquanto as crianças brincavam de roda em frente à fonte central do povoado. Os homens entravam na taberna para beber e comemorar a boa safra, taberna esta chamada de Arthur Louco, em homenagem ao desbravador desaparecido.
       O sol se punha no meio dos morros, quando foi ouvido o som de cascos se aproximando. Imediatamente, todos os moradores entraram em suas casas e trancaram as portas. Mães saíram correndo para agarrar seus filhos que brincavam na fonte ao centro do povoado, o dono do estaleiro fechou suas portas e, assim como todos os habitantes, espiou pela janela embaçada e suja, com a curiosidade e o medo estampado em seu olhar.
       Uma carruagem negra e fechada começou a atravessar o povoado. Conduzida por dois cavalos de beleza extrema. Seus pelos prateados refletiam no sol que desaparecia no horizonte. O carroceiro usava uma capa com capuz negro para se proteger do frio, enquanto que no interior do veículo, o jovem Christopher Asger observava tudo com a cabeça escorada no vidro embaçado.

CONTINUA....

Este texto eu escrevi nas férias de julho de 2006 enquanto passava uma semana na casa de meu pai, e aí nasceu Christopher Asger, personagem que sobreviveu ao manuscrito de seis páginas e tomou grande importância nas páginas de Bellatoris.

Embarcam comigo nesta jornada, bravos Bellatoris?

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